Fecho os olhos para lembrar das minhas duas primeiras viagens, em 1993 e 1995. Algumas memórias se misturam, mas outras são muito claras. Na primeira, no fim de 1993, vi a decoração de Natal e passei o Réveillon no Magic Kingdom. A comemoração de Ano-Novo fazia parte da programação normal daquela noite; isso não deve ser confundido com as festas sazonais de Natal, que usam ingresso separado. Distribuíram chapéus e outras lembranças que ficaram anos na nossa casa. Usávamos mapas de papel e marcávamos com um X as atrações visitadas. Lembro das filas para conhecer a casa do Mickey e da Minnie, dos personagens circulando sem encontros tão organizados e do 20,000 Leagues Under the Sea. Na segunda viagem, em outubro de 1995, conheci o ExtraTERRORestrial Alien Encounter, que tinha aberto havia poucos meses — a atração estreou oficialmente em 20 de junho daquele ano, depois de uma prévia em dezembro de 1994 que o Eisner mandou fechar em 12 de janeiro de 1995 por não achar assustadora o suficiente. Também lembro de ficar um pouco assustado na Haunted Mansion, de gostar muito de Pirates of the Caribbean e Jungle Cruise e de não gostar do Tiki Room nem do Country Bear Jamboree. Não havia FastPass, mas as atrações mais disputadas já acumulavam filas superiores a 45 minutos.
A primeira viagem da Alê foi em julho de 1997, e ela ainda guarda os ingressos daquela viagem. Ela encontrou o Magic Kingdom numa das fases visuais mais discutidas da história do parque: o castelo da Cinderela transformado num bolo de aniversário para a comemoração dos 25 anos do Walt Disney World, decoração que subiu em 1º de outubro de 1996 e ficou no ar até o começo de 1998.
A gente ainda não se conhecia. Eu tinha estado ali dois anos antes.
O que saiu
A Rivers of America, a Tom Sawyer Island e o Liberty Belle
Fechadas permanentemente em 7 de julho de 2025. As estruturas da Tom Sawyer Island foram demolidas.
O barco operava desde 1973, com o nome de Richard F. Irvine Riverboat, em homenagem a um executivo da Imagineering. Foi rebatizado de Liberty Belle em 1996. Ele continua no terreno, guardado nos bastidores — foi visto ali em março de 2026.
No lugar vem a Piston Peak National Park, área temática de Cars com cenário de parque nacional. As duas atrações anunciadas são a Cars Ridge Run Rally e a Miss Fritter’s Daredevil Spin-Along. A Disney ainda não anunciou data de abertura.
Um detalhe que vale contar: a estação onde as pessoas embarcavam no Liberty Belle vai sobreviver à obra. Ela aparece na arte conceitual da área nova.
Para quem tem criança pequena, a Tom Sawyer Island é uma grande perda. Era um lugar pouco explorado pela maioria, mas era uma ilha que praticamente era um parquinho imenso. Meus dois filhos adoravam ir lá.
O 20,000 Leagues Under the Sea
Os submarinos operaram de 1971 a 1994. A lagoa ficou anos sem uso definido, passou a abrigar áreas menores, e hoje o terreno é ocupado pelo Seven Dwarfs Mine Train.
Você viajava num submarino. Eu lembro da entrada e da sensação de estar diante de algo completamente diferente. Gosto muito do Seven Dwarfs Mine Train, mas considero a perda do 20,000 Leagues significativa.
A Mickey’s Toontown Fair
Essa área teve quatro nomes. Abriu como Mickey’s Birthdayland em 18 de junho de 1988. Virou Mickey’s Starland em 26 de maio de 1990. Foi brevemente rebatizada de Mickey’s Toyland no fim de 1995. Fechou para reforma no começo de 1996 e reabriu em 1º de outubro de 1996 como Mickey’s Toontown Fair, no aniversário de 25 anos do parque.

Fechou de vez em 11 de fevereiro de 2011, para dar lugar à expansão da Fantasyland.
Eu já era pré-adolescente na minha primeira visita, então a mudança dessa área não foi de grande impacto para mim, mas lembro de ter ficado em filas grandes para conhecer a casa do Mickey e da Minnie. Minha última visita a essa land foi em 2008.
A Snow White’s Scary Adventures
Fechou em 31 de maio de 2012. No lugar veio o Princess Fairytale Hall.
Um detalhe bonito e pouco conhecido: parte dos personagens e elementos da atração antiga foi reaproveitada no Seven Dwarfs Mine Train, incluindo figuras dos sete anões na cena final e os urubus.
A Splash Mountain
Fechou em 23 de janeiro de 2023, depois de mais de trinta anos — a versão do Magic Kingdom tinha aberto em outubro de 1992. Reabriu como Tiana’s Bayou Adventure em 28 de junho de 2024, com a mesma estrutura e tema completamente novo.
Sendo muito honesto, para mim mudou pouco. Eu gostava muito da música do Splash Mountain e da tematização, mas da Tiana também é legal. E o que mais vale pra mim e para o Artur é a adrenalina da queda.
Falando dessa transição — é a fonte de uma curiosidade que aparece em conversa com meus filhos sobre o parque: dois anos depois da mudança de nome, meu filho de 13 anos, morando a vinte minutos do parque, ainda chama de Splash Mountain. A Manu, dois anos mais nova, já corrige.
O que entrou
A expansão da Fantasyland
A maior obra da história do parque, executada entre março de 2010 e maio de 2014.

A primeira leva abriu em prévia em 19 de novembro de 2012, com inauguração oficial em 6 de dezembro: o Under the Sea — Journey of The Little Mermaid, o Be Our Guest Restaurant, a vila da Bela e a Fera e o Enchanted Tales with Belle.
A Storybook Circus, que ocupou o terreno da antiga Toontown Fair, abriu em duas fases. A primeira em 12 de março de 2012, com o The Barnstormer rebatizado como The Barnstormer Starring The Great Goofini, a estação de trem reconstruída e metade do novo Dumbo. A segunda em junho de 2012, com a outra metade do Dumbo, a fila coberta e a Casey Jr. Splash ‘n’ Soak Station.
O Dumbo saiu da Fantasyland e foi reconstruído ali, com o dobro da capacidade e fila interativa.
O Seven Dwarfs Mine Train
Dedicado em 2 de maio de 2014, com prévia em 21 de maio e abertura oficial em 28 de maio de 2014.
Foi construído em parte do terreno da antiga lagoa do 20,000 Leagues Under the Sea, dentro da área mais ampla ocupada pela expansão da Fantasyland. Foi também a primeira atração a usar esse sistema de vagões que balançam lateralmente.
O TRON Lightcycle / Run
Abriu em 4 de abril de 2023, na Tomorrowland, atrás do Space Mountain. Foi a maior adição ao parque desde o Seven Dwarfs Mine Train, nove anos antes.
O que está em obra agora
A Piston Peak National Park, de Cars, e uma área de vilões já anunciada. Nenhuma das duas tem data confirmada.
O que mudou sem ninguém anunciar
É difícil dizer que ninguém anunciou, porque estamos falando de mais de 30 anos de transformações.

Algumas mudanças, porém, são percebidas mais no comportamento do visitante do que num anúncio. Muitas atrações importantes passaram a ter duas filas: a standby e a Lightning Lane paga. Os mapas de papel perderam espaço para o celular, que concentra roteiro, pedidos, reservas e fotos. A sensação de filas maiores não tem uma causa única; envolve demanda, capacidade operacional, novas atrações e a forma como o público se distribui pelo parque.
O outono americano deixou de funcionar como uma baixa temporada uniforme. Ainda existem dias mais tranquilos, mas festivais, corridas, feriados e festas sazonais quebraram o antigo padrão.
O EPCOT tem festivais durante grande parte do ano. As corridas também ocupam espaço no calendário, e as festas de Halloween e Natal mudam o funcionamento do Magic Kingdom. Entre agosto e dezembro, eu verificaria as datas: nos dias de festa, o parque costuma fechar para o público regular às 18h, embora o horário deva ser confirmado para cada evento.
Os personagens não estão mais espalhados pelo parque, agora está mais organizado e você consegue saber quem vai estar em que momento.
E tem uma que eu tenho guardada em casa.
Tenho um Disney Dollar de um dólar, com o Mickey, série 1990. Veio de troco no aluguel do carrinho de bebê da minha irmã, em 93 ou 95 — não lembro qual das duas viagens.
O Disney Dollar era a moeda própria da Disney, aceita dentro dos parques e dos hotéis. A Disney parou de emitir em 2016. Hoje você paga encostando o celular ou a pulseira, e a maior parte das pessoas que visita o parque hoje nunca viu uma dessas.
Para a maior parte dos visitantes, o fim do dinheiro de papel temático passou sem grande alarde. Ele simplesmente parou de aparecer no troco.
Os quatro sistemas de fila que eu já usei
FastPass de papel, a partir do meio de 1999. Você ia até a atração, colocava o ingresso numa máquina e ela cuspia um papel com a janela de horário para voltar. Gratuito, uma reserva por vez.
O FastPass+ substituiu o FastPass de papel entre o fim de 2013 e o começo de 2014. A Disney tinha apresentado a plataforma MyMagic+ em 7 de janeiro de 2013 e testado o sistema ao longo daquele ano. Ainda gratuito, mas agendado com antecedência pela internet, em três atrações por dia. No começo só para hóspedes de hotel Disney; a partir do fim de abril de 2014, para qualquer pessoa com ingresso.
Genie+, em 19 de outubro de 2021. A passagem do gratuito para o pago. Começou a 15 dólares por dia, preço único para todos os parques. Em junho de 2023 passou a ter preço por parque.
Lightning Lane Multi Pass, em 24 de julho de 2024. Preço dinâmico por parque e por data, com valores observados de aproximadamente 15 a 45 dólares por pessoa até setembro de 2026.
Entre os dois últimos, houve o intervalo da pandemia: o parque fechou em 16 de março de 2020, reabriu em fases a partir de 11 de julho, e o FastPass+ foi suspenso e nunca voltou.
Quatro sistemas em pouco mais de vinte anos, e a mudança mais importante não é de nome: o que era gratuito virou uma das maiores linhas do orçamento de uma viagem em família.
Parques, hotéis e transportes passaram por muitas transformações nos últimos dez anos, mas, para mim, nenhuma foi tão ruim quanto o fim do FastPass+. Era um sistema gratuito. No FastPass de papel, havia até certa diversão em procurar as máquinas; no FastPass+, eu cheguei a conseguir sete seleções num único dia. Hoje, a fila rápida virou uma despesa adicional.
A conta detalhada de quando o sistema atual vale a pena e quando não vale está em Lightning Lane Multi Pass: quando vale pagar e quando não vale.
O sistema que existiu e sumiu
Vale acrescentar o Park Pass, a reserva prévia de parque, criada em julho de 2020 na reabertura. Foi obrigatória até 8 de janeiro de 2024. A partir de 9 de janeiro de 2024, ingressos com data definida deixaram de precisar dela.
Um sistema que existiu por três anos e meio, obrigou meio mundo a planejar de um jeito, e sumiu. Boa parte dos guias em português ainda descreve ele como obrigatório. Esse é um dos erros que eu detalho em erros de brasileiro na primeira viagem à Disney — informação desatualizada é o mais persistente deles.
Uma exceção que interessa a quem mora aqui ou pensa em passe anual: quem tem Annual Pass ainda precisa de reserva de parque em muitos casos. A regra sumiu para o turista comum, não para todo mundo. Nós ainda temos que marcar, mas raramente não tem disponibilidade.
Uma mudança em curso agora
O Walt Disney’s Carousel of Progress fechou em 6 de julho de 2026 para uma transformação ampla, com reabertura anunciada para o fim da primavera de 2027.
Não é manutenção comum. As cenas avançarão para décadas mais recentes, incluindo 1969 e os anos 1980, e a abertura ganhará um animatrônico do Walt Disney inspirado no especial de televisão Disneyland Goes to the World’s Fair, de 1964.
A versão que existia desde 1994 acabou. Quem visitou o parque até julho de 2026 viu uma coisa que ninguém mais vai ver.
Essa é uma atração bem clássica, que eu não gostava quando era criança e muita gente diz que servia só para tirar um cochilo durante a tarde, especialmente em dias de calor. Dá para entender: a atração sempre teve pouca fila e boa duração, e a gente assistia sentado, no escuro. Nos últimos anos, comecei a apreciá-la muito mais.
O que não mudou
É claro que muita coisa mudou, mas a magia de entrar no parque, passar pela Main Street, ver o castelo, sentir o cheiro de baunilha e doce perto da Main Street Bakery — reforçado por um sistema de difusão de aroma conhecido entre fãs como Smellitzer — andar pelas lands, ver a parada e os fogos, o sentimento de nostalgia, de voltar a ser criança, de sentir que o mundo e os problemas ficaram do lado de fora, isso continua e é por isso que a gente continua voltando.
Cronologia revisada em 13 de setembro de 2026. Datas de reabertura, calendário de novas áreas e status de reformas podem mudar.