Eu ia começar esse post dizendo que aqui em casa cada um tem um parque favorito diferente. Parecia bom: somos quatro, os parques são quatro.
Só que, quando fui perguntar para valer, a conta não fechou.
A Alê e a Manu escolheram o mesmo. E eu, que era para fechar a simetria com o EPCOT, não consegui escolher — por um motivo que eu só entendi depois de gravar.
Gravei cada um separado, sem ninguém ouvir a resposta do outro, justamente para não haver influência. Não editei o gosto de ninguém, e mantive as palavras de cada um — inclusive quando eles não lembravam o nome da atração, o que aconteceu mais de uma vez e é parte da graça.
A Alê — Magic Kingdom

“O meu parque favorito é o Magic Kingdom. Apesar de que para chegar lá é muito trabalhoso, é muito demorado, então a gente acaba indo pouco. Mas é mais pelo castelo, mais pela magia mesmo. Visualmente ele é bem bonito.”
A observação sobre ser trabalhoso chegar é real e vale registrar: o Magic Kingdom é o único parque sem estacionamento na porta. Você para no Transportation and Ticket Center e ainda pega monotrilho ou barco.
As atrações dela no Magic Kingdom:
“Eu gosto do Mickey’s PhilharMagic, adoro o cinema. Até porque quando está muito sol, muito calor, é ótimo que tem ar-condicionado e você senta. E quando está chovendo também é bom, você se protege. Não é radical, então todo mundo pode ir.”
“Outro que eu gosto bastante é o Seven Dwarfs Mine Train. E mais recentemente o TRON. O TRON já é mais radical um pouquinho, então para quem gosta de sentir frio na barriga é recomendado.”
“E a parada. A parada do Magic Kingdom é linda. Os fogos noturnos tem que ir. Dá para ficar de manhã e depois voltar, mas na minha opinião tem que voltar e assistir os fogos.”
EPCOT:
“Quando eu comecei a vir na Disney, ele era um parque mais voltado para adulto. Hoje em dia tem bastante atração, então inicialmente não era um parque que eu gostava, mas hoje é bem legal.”
“Guardians of the Galaxy é muito legal, muito diferente de todas as montanhas-russas. Eu nem sei se é considerado montanha-russa ou simulador, mas é uma sensação bem legal. E gosto do Soarin’, que é a asa delta que você vai passando pelos lugares e sente cheiros. Passear em todos os países vendo as características, cada detalhezinho diferente, também é muito divertido.”
Hollywood Studios:
“Eu inicialmente adorava a Tower of Terror. Hoje em dia não é meu brinquedo favorito. Sinto muito frio na barriga, não é uma sensação que eu gosto mais depois que eu fui mãe.”
“Gosto muito da área do Star Wars, é bem realística. Eles retomam bem os filmes, e aparecem personagens de vez em quando, tornando a coisa mais mágica ainda.”
“O Slinky Dog é uma montanha-russa mais voltada para o público infantil, dá um friozinho na barriga mas é de boa. E o Toy Story Mania, que é o brinquedo de atirar, é bem divertido — mas não é aconselhável para quem tem problema de tontura ou labirintite, que vai passar mal.”
“Tem o show noturno que eu amo, o Fantasmic. Esse é lindo, tem que ir, e tem que chegar mais cedo para sentar num lugar legal. Acaba que cabe todo mundo que está no parque, mas se você deixar para o horário do show não senta num lugar bom. A cada ano que passa eles renovam. Quando eu vi a primeira vez era um negócio totalmente diferente do que é hoje.”
Animal Kingdom:
“Para mim o mais legal é o Avatar. Depois vem o Everest, que também é montanha-russa, tem que ser para quem gosta de emoção — a primeira queda é mais sinistra, mas depois é super de boa.”
“Adoro os showzinhos que tem lá. O Festival of the Lion King, o do Nemo. São lindos para qualquer idade. Lógico que os adolescentes não curtem muito, mas os menorezinhos amam e os adultos também.”
“O safari é muito legal. Você vê todos os animais, lógico que tem que torcer para eles estarem a fim de aparecer. O leão é muito difícil de ver, a girafa já é bem mais fácil — às vezes ela vem bem pertinho do caminhãozinho. E o elefante, às vezes tem filhote. Eu já vi, é uma fofura.”
O Artur, 13 anos — Hollywood Studios

“O Hollywood, na minha opinião, é o parque que tem mais atração legal. Eu vou sempre na Tower of Terror, na Rock ‘n’ Roller Coaster que fica bem do lado, na Millennium Falcon, que fica na área do Star Wars. Também tem Rise of the Resistance. Daí eu sempre dou um pulo na área do Toy Story, vou no Slinky Dog, e às vezes no Toy Story Mania quando está com pouca fila.”
Uma atualização necessária: essa gravação foi feita antes da mudança de tema. Em 2026, a atração passou a se chamar Rock ‘n’ Roller Coaster Starring The Muppets.
Magic Kingdom:
“Quando eu penso em Magic Kingdom, eu sempre lembro de algumas atrações em específico. Space Mountain, o PhilharMagic, o Pirates of the Caribbean, a Haunted Mansion, a Big Thunder. E também tem o… eita, qual o nome? A Splash Mountain.”
Aqui vale uma nota. A Splash Mountain virou Tiana’s Bayou Adventure em junho de 2024. O Artur mora a vinte minutos do parque, vai com frequência, e quase dois anos depois ainda chama pelo nome antigo.
A Manu, dois anos mais nova, disse “Splash Mountain, que agora virou a Tiana”.
Achei isso mais interessante que qualquer opinião sobre a atração em si.
EPCOT:
“Eu sempre penso na bola gigante, que eu não sei o nome. O Guardiões da Galáxia. Também tem o Ratatouille, só que tem muita fila. E eu gosto de ir para os lugares, passear pela França, pelos países, pelo Canadá.”
A bola gigante é o Spaceship Earth. Ele sabe exatamente onde fica e o que acontece lá dentro. Só nunca reparou no nome.
Animal Kingdom:
“No Animal Kingdom é mais para você observar os animais. Eu gosto de ficar observando os animais comendo, essas coisas. Também tem o… River Falls? É o de água. E tem o Everest.”
“Tem um sorvete lá muito bom, aquele do Everest, de baunilha, que eu amo. O barquinho do Avatar também é legal, e o simulador é bem legal, só que está com muita fila ultimamente.”
O de água é o Kali River Rapids. O barquinho é o Na’vi River Journey e o simulador é o Flight of Passage.
A Manu, 11 anos — Magic Kingdom
“O meu parque favorito é o Magic Kingdom, porque ele tem o TRON, tem o Space Mountain, tem a Tomorrowland, que eu acho bem legal, meio futurístico.”

“No Halloween tem o trick or treating. Quando você vai no negócio do Mike Wazowski e do Sully tem um monte de doce lá que você pode pegar. Eu acho bem legal porque eu adoro Halloween.”
“E do Magic Kingdom eu gosto da Haunted Mansion. Gosto da Big Thunder. Eu também gosto da Splash Mountain, que agora virou a Tiana.”
“E uma das comidas que eu gosto bastante é o funnel cake, que eu e minha mãe comíamos bastante quando a gente ia.”

EPCOT — o segundo favorito dela:
“Eu adoro visitar os lugares. E tem meio que um treasure hunt para as crianças, que é bem legal: você vai em todos os países e tem que fazer alguma atividade. A gente nunca conseguiu terminar, mas era sempre muito legal, porque é uma coisa diferente que não tem em nenhum dos outros parques.”
“E indo para montanha-russa, eu adoro o Guardiões da Galáxia. Gosto da bola também, que eu não sei o nome e esqueci.”
Dois filhos, gravados separados, e os dois chamaram o Spaceship Earth de “a bola” e disseram que não sabiam o nome.
“Outro brinquedo legal é o Ratatouille. Só que a fila é muito longa, e quando você sempre acha que vai chegar no brinquedo, você nunca chega. É tipo um labirinto. Se você quiser ir, o que é bem legal ir, só tem que ficar aware que a fila é bem grande.”
“E outro é o Soarin’. Eu gosto porque te leva por outros lugares, é meio que você está voando. E aí o cheiro, quando você chega no safari, é um cheiro muito bom — a gente até comprou um para a nossa casa ficar smelling better.”
Ela estava lembrando da versão Soarin’ Around the World. Na data desta publicação, o filme em exibição no EPCOT é Soarin’ Across America.
Hollywood Studios:
“Um brinquedo que eu gostava bastante era o Rock ‘n’ Roller Coaster, porque para mim é bem legal com o looping. A Tower of Terror eu não gosto. Não sei por quê, mas eu não gosto das quedas.”
“A parte do Star Wars eu acho bem legal. Um que eu ia sempre era o simulador — sempre quando a gente ia, tinha novas imagens, e era sempre legal. Outro era o Slinky Dog, que eu acho bem legal. Mas a fila também é bem grande. Geralmente esse é um dos brinquedos que você quer ir primeiro.”
Animal Kingdom:
“Eu gosto bastante porque tem o Avatar. O Avatar é um dos simuladores mais legais, acho que dos quatro parques. Porque ele simula o animal do Avatar. O cheiro também vem um cheiro bom, e vem tipo ar na sua cara, na sua barriga. E tem a sensação de que você está realmente num daqueles animais.”
“Outro é o Everest. Eu só fui uma vez, porque eu sempre tive muito medo da parte de costas. Não era uma queda, só a ida de costas. Mas eu acho que agora eu prefiro mais, porque é mais legal agora. A queda eu acho não tão legal, mas a montanha-russa em si é legal.”
“E uma comida que eu adoro pegar lá é o sorvete do Everest, que é um baunilha com chocolate branco. É bem bom.”
O sorvete do Everest apareceu nas duas gravações, do Artur e da Manu, sem um saber da resposta do outro. É do Anandapur Ice Cream Truck, perto da saída do Expedition Everest.
O meu — e por que eu não consigo escolher

Para mim é difícil cravar a melhor atração ou o melhor parque, porque honestamente varia. Varia muita coisa.
Se eu tiver que responder, diria Haunted Mansion ou Pirates of the Caribbean. São as que eu mais gosto.
Mas a cada momento da vida, especialmente com as crianças, isso vai mudando.
Quando a Manu amava a Rock ‘n’ Roller Coaster, eu ia para o Hollywood Studios e aquela era a minha prioridade. Eu curtia com ela. Mesma coisa com o Artur e a Tower of Terror — a gente tem que ir na Tower of Terror toda vez que vai ao Hollywood. E ele ama o Everest. Toda vez que a gente vai ao Animal Kingdom, tem que ir no Everest.
Então essas acabam virando as minhas favoritas também, porque eu quero ver eles felizes o tempo inteiro.
A Alê adora os shows, então eu também gosto de ir nos shows com ela, para estar junto. E é isso: parte da magia é a gente estar junto, curtir um ao outro, num momento em que todo mundo está de uma certa forma feliz, contente, esquecendo dos problemas.
O que eu gosto em cada parque
No Animal Kingdom, a beleza. Joe Rohde foi o principal responsável criativo pela concepção do parque, liderando a equipe de Imagineering, e o resultado é uma coisa incrível. É maravilhoso, é lindo.
No EPCOT, o Festival das Artes. As pinturas, os quiosques — tem uma vibe muito boa nesse festival específico. E passear pelos países. Eu adoro fazer o scavenger hunt dos passaportes com as crianças e incentivá-las — você pega o passaporte no México ou no Canadá e vai colecionando os carimbos em cada país. É exatamente o que a Manu contou na parte dela.
No Hollywood Studios, o Fantasmic. Está entre os meus favoritos de todos os parques.
E gosto de todas as montanhas-russas da Disney. Talvez menos o Barnstormer hoje em dia, que é bem de criança. Todas as outras eu adoro, apesar das filas.
Adoro estar junto.
Onde a gente discorda
Tower of Terror. O Artur cita como primeira do Hollywood Studios. A Manu não gosta das quedas. A Alê adorava e parou de gostar depois que virou mãe. Três pessoas, três posições, sobre a mesma atração.
Expedition Everest. A Alê acha que a primeira queda é sinistra mas depois é de boa. A Manu foi uma vez, ficou com medo da parte de costas, e só recentemente voltou a gostar. O Artur cita sem ressalva nenhuma.
Toy Story Mania. A Alê avisa que quem tem labirintite passa mal. O Artur só vai quando a fila está curta.
Nas duas primeiras, minha posição é a de quem está indo junto. Vou na Tower of Terror porque o Artur quer, e no Everest pelo mesmo motivo. No Toy Story Mania a história é outra. Gosto de verdade, mais que os outros três. É competitivo, e eu ganho de todo mundo em casa.
Essa é a exceção da minha regra de acompanhar.
O que todo mundo concordou

Avatar Flight of Passage. Os três citaram, cada um do seu jeito. A Manu chama de melhor simulador dos quatro parques. O Artur reclama da fila. A Alê diz que é o mais legal do Animal Kingdom.
Guardians of the Galaxy: Cosmic Rewind. Os três citaram no EPCOT.
Slinky Dog Dash. Os três citaram no Hollywood Studios.
E o sorvete do Everest, que os dois filhos lembraram sem combinar.
Fila do Ratatouille e do Slinky Dog aparecem na fala dos três como problema. A conta de quando o Lightning Lane vale a pena para escapar dessas filas está em Lightning Lane Multi Pass: quando vale pagar e quando não vale.
E o seu ranking?
Gravando as quatro respostas, o que me chamou atenção não foi a lista de atrações. Foi perceber que a minha mudou três vezes em vinte anos, sempre acompanhando a idade de quem estava do meu lado.
Se você já foi, conta nos comentários qual é o seu parque e qual é a sua atração. E se você for com criança, vale prestar atenção numa coisa: a sua resposta provavelmente vai mudar junto com a delas.
E se estiver planejando a primeira viagem — a dificuldade de chegar ao Magic Kingdom que a Alê mencionou tem impacto direto na decisão de hospedagem. A conta completa está em onde ficar em Orlando para visitar a Disney.